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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Morte

    Flores. As mesmas flores que tão precocemente são arrancadas dos campos virgens e orvalhados, agora permanecem imóveis e secos sobre a madeira límpida. Flores. Que de tão intactas, resplandecem sua imaturidade...Por que, oras, por que arrancá-las? Que de tão novas morrem, nas mãos impróprias dos homens e não às mãos em que estas pertencem: as mãos do tempo. Flores intactas? Não, já consigo ver em suas pétalas, rachaduras impróprias, invisíveis aos olhos humanos. Já sem vida, murcham, morrem.
Sangue.
    O sangue tão vinho, tão vívido em veias alheias, tão plácido e vivaz. O sangue de irmãos, homens, nada mais é do que uma herança. Caim e Abel: irmãos....vítima e assassino. Por que, oras meu Deus, por que matar Mineirinho? O homem mata seus iguais por medo. O medo é o grande monstro do homem. Matar alguém, supostamente assassino, seria justiça? 13 tiros, sem piedade. 13 tiros e nada menos. Bastaria um para matar, dois massacrariam alguém, três já exterminariam sua alma. Maior é o assassino que mata por vingança do que por medo.
    Sangue e flores, ambos se fundem. Um sobre o outro.

Ana Cecília.

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