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sábado, 14 de maio de 2011

Ninguém Sabe Seu Nome

Ninguém sabe seu nome, mas observam sua juventude. Ela tem 19 anos. Ela tem tudo o que precisa... para se perder.  Usa um par de botas que costumavam ter a cor branca, mas agora estão amareladas, acompanhando as botas surge o jeans bem justo e rasgado. Um chapéu se encaixa perfeitamente em sua cabeça cobrindo parte de seu longo e loiro cabelo ao passo que a sombra do chapéu esconde seus olhos verdes.
Terminando de abastecer o carro ela caminha para a loja de conveniência para pagar pelo combustível. Os saltos das botas fazem com que seu quadril se mova sensualmente, não é sua intenção, mas age como se fosse. Seu caminhar é lento. Ela não tem pressa. Ela tem tudo que precisa...
Todos aqueles velhos encaram-na e em suas mentes estão de joelhos por ela. Ela tem apenas 19, mas todos se intimidam e a desejam como se tivesse 25. Seu corpo firme e rígido corresponde com a idade que deduzem: “25 anos. Sim senhor... isso.”  
Volta para o carro e olha embaixo do banco para conferir algo. Entra, dá a partida e segue pela U.S. Route 66. A placa de seu carro denuncia de onde vem: Amarillo, Texas. Está indo para El Reno, Oklahoma onde pretende consumar sua vingança. Na semana anterior seu namorado fugiu com uma vadia desconhecida, desesperada ela fez tudo o que podia para descobrir aonde aquele babaca havia se metido, mas a sorte nunca fora sua companheira. Estava deitada em seu quarto quando recebeu um telefonema, era a mãe de seu namorado. A velha dizia que havia achado nas coisas do filho alguns panfletos de motéis de beira de estrada e alguns eram de El Reno. O desgraçado já planejava aquilo por um bom tempo. Fugir e aproveitar-se das sabedorias sexuais de uma vadia. Maldito!
Um motel chamou atenção, era o Budget Inn Motel. Em uma de suas viagens de casal passaram por ele e dormiram por lá uma noite. Ela transou a primeira vez ali, com aquele bastardo. Era virgem e achava que amava aquele moleque! Seu instinto dizia para começar por ali, talvez achasse alguma coisa lá... Quem sabe? Homens são tarados, curtem essas bizarrices de comer uma amante onde já levaram outras.
Dirige durante horas, a estrada é invencível. Só consegue pensar em como fará para que aquele cara pague pelo que fez. Chega ao motel, já é noite. Estaciona o carro e pega sua 9 mm embaixo do banco. Prende a arma improvisadamente nas costas por baixo do cinto e estica sua regata preta para esconder a arma.
Entra pela recepção e descreve a aparência de seu jovem namorado para o rapaz que está com os pés em cima do balcão lendo uma edição antiga da revista MAD. Ele confirma a presença do bastardo e entrega uma chave reserva do quarto em que ele está. Uma situação como essa era normal, na mente do recepcionista ela era apenas outra componente da festinha que rolava no quarto. Só conseguia prestar atenção naqueles olhos verdes por baixo do chapéu, ficou tão desorientado que não notou que ela carrega uma arma na cintura.
A porta do quarto se abre tão silenciosamente que os amantes não percebem que ela está lá. Ele está por cima, domando aquela ninfa que o recebe com as pernas abertas, pernas que em alguns momentos se agarram nas costas dele e depois caem como mortas. Ela observa o coito, espera o termino daquilo tudo sem pressa encostada na parede segurando a fivela de seu cinto negro. Por fim ele explode num gozo mortal, não consegue se mexer depois daquele arrebatamento de sentidos e fica deitado por cima do corpo de sua amante. Subitamente ele recebe um chute na costela que faz com que seu corpo mole se estenda pelo chão. A garota é puxada pelo cabelo e jogada no outro canto do quarto. O acerto é com ele.
Arrastando-se ele consegue se sentar encostado na parede vermelha, ela se dirige até ele e pressiona a sola de sua bota sobre o peito dele, observa-o sem dizer coisa alguma e mais um chute, agora no rosto. Procura por um travesseiro e o posiciona no peito do ex-namorado. Agora um joelho está esmagando as bolas enquanto ela segura o travesseiro com uma mão e com a outra ela saca sua 9 mm, rapidamente engatilha e volta a segurar o travesseiro contra o peito daquele maldito. Encosta a arma no travesseiro que está no peito do ex e dois tiros abafados são despejados ligeiramente do pente. Feito.
Manda a garota se vestir e segui-la até o carro. Passam pela janela e andam por trás dos quartos para chegar até o carro. O carro segue pela noite o caminho de volta, sentido Amarrillo, mas não ficarão por lá. Nenhuma palavra foi dita durante toda a viagem. A amante não chorava a morte de seu parceiro, apenas olhava a paisagem escura com a cabeça encostada no banco. Já é manha quando fazem uma parada no Cattleman’s Café, na Amarillo Boulevard. Sentam-se em uma mesa para dois - a garota ainda não diz nada. A garçonete se aproxima para atendê-las. Pedem apenas um café bem preto para começar.
Os olhos verdes e baixos encaram a garota por baixo do chapéu enquanto o vapor do café deixa a ponta do chapéu úmida. A pele branca daquela garota, o cabelo negro e liso, os olhos escuros como a morte despertaram algo desconhecido dentro de si, talvez o café tenha ajudado. Encostou-se relaxadamente na cadeira e disse:
- Diabos, garota! Como você é linda. Meu nome é Stacy. E você, como se chama?

Filipe Lemos

2 comentários:

  1. Hahahaha, que final excelente!

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  2. NOSSA! Eu comi as unhas lendo o texto, quase ipnotizada... ai vem um final excelente desse! kkkkkkkk
    Muito bom, filipe.

    beijo keila de Oliveira.

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