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sábado, 25 de junho de 2011

A Cria do Seu Cornélio

Cornélio era um homem de bem, gastava tanto a vida na labuta que nem sentia que vivia. Nunca foi de muita beleza, mas pra compensar tinha um alazão de primeira, sangue puro, uma formosura que só vendo. Não era atoa que, nas raras horas de folga, seu passatempo era rodar a cidade com seu cavalo dando inveja aos olhos dos moços e cobiça aos olhos das moças. E foi numa dessas que arranjou sua mulher, uma loira de lomba larga, mas que, no final das contas, não era de muita valia: tinha a fama de rampeira, só o coitado é que não via. Quando ela emprenhou geral avisou: abre o olho, Seu Cornélio, o moleque não é teu. E ele retrucava: já me traiu sim, mas jurou que o filho é meu.
Maldade ou não, o padeiro da vila respirava aliviado com a crença do coitado.
Mas olha bem que o tempo passou e já é dia de parir. Cornélio bota sua mulher na carroça aos berros com os coices do moleque querendo sair e dispara seu belo alazão em direção da casa da parteira. A cidade segue atrás em procissão, afinal de contas, todo mundo tinha seu vintém naquela situação.
A gente se amontoou envolta da janela na expectativa, era um empurra-empurra danado pra conseguir assistir ao drama da vida. As apostas já estavam em dez pra um que o moleque ia ser negrinho do cabelo duro. Mas não é que, pra nossa surpresa, de dentro daquela mulher saiu um belo de um potrinho de crina e quatro patas?

Lucas Bueno

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