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sábado, 17 de setembro de 2011

Mundo de Feras

    Quem visse Diana agora, não a reconheceria. Por ora ativista dos direitos dos animais, quando criança já foi uma exímia assassina a sal armado de sapos.
    - Bicho tonto demais! – debochava.
Calhou de apaixonar-se por Dieguito, um rapaz distante de qualquer afeição pelo reino animal. É que fora mordido por seu poodle de estimação quando era bem pequenininho.
    Estavam de casamento marcado, ao que resolveram jogar na Mega Sena. Diana resolveu. Dieguito era contra qualquer tipo de jogo. Poderia impedí-la, mas arrisco-me a dizer que o rapaz cedeu assim que viu a quantia acumulada: 25 milhões de reais.
    Dali a um mês, a notícia: Diana havia ganhado a bolada e a primeira coisa que fez foi abrir uma conta conjunta com o noivo, fazer planos de doar grande parte ao Instituto Protetor dos Animais e logo comprou uma passagem com destino ao Pantanal. Ida e volta, duas, primeiríssima classe.
    Hospedados numa pousada luxuosa, Dieguito saía arrastado por Diana a fazer um tour pela região. A moça decidiu alugar um barco e navegar por aqueles rios. O motor parou. Possuíam somente uma espingarda e a si mesmos. O moço tinha pavor de água, de mato, inseto e tudo mais que se movesse e não fosse humano.
    Nadaram até a beirada e lá, um filhotinho de jaguatirica se aproximou do casal.
    - Atira nessa coisa, Diana.
   - Claro que não, Dieguito. Ela só nos fará mal se sentir-se ameaçada, acuada. Olha como ela é lindinha. Não quero nem posso atirar. Irá contra minha filosofia de vida e, aliás, o que meus colegas do grupo de proteção aos animais iam dizer? Jamais!
    Ouvia-se folhas sendo pisadas ao que um outro casal lhes fora visitar, um de onças pintadas.
    Diana hesitou tanto a disparar por acreditar bestamente na humanidade dos bichos que acabou sendo atacada e devorada pelo que seria o macho.
Dieguito pulou na água e nadou corajosamente até o barco, saindo ileso, com umas sanguessugas no corpo e uma fortuna que, certamente lhe faria esquecer do incidente e que jamais iria ser doada ao tal instituto, senão direcionada a compra de uma linda cobertura no Leblon.
    Enquanto saboreavam coxas a uma espécie de molho sautée, as onças conversavam:
   - Humanos, insistem em se comparar a nós achando que compartilhamos do mesmo instinto! Chegam a dever o Leão, - o Leão! - vê se pode.


Thiago Alcebíades

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