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sábado, 17 de setembro de 2011

Um Certo Romance

    Já passa das quatro da tarde e todos os jovens estão reunindo-se em frente ao clube. É domingo, o que mais poderia ser feito? As horas vão se estreitando e a rua parece ter sido tomada por um exército de jovens amantes das superficialidades do que um dia foi os anos 80. Todos com seus clássicos Converses e Reebooks estourados, bottoms, coletes... é um improvisado espetáculo vintage. A maioria dos que estão ali não se importam com as bandas que vão tocar ou se alguma delas um dia realmente fará sucesso. Na verdade o ponto não é esse. O ponto é que não há mais nada autentico e sincero ali. O ponto é que não existe mais romance por ali.
   Todos estão conversando, bebendo e fumando, mas na calçada é possível  notar uma garota que se destaca no meio de toda essa vaidade imatura. Ela se diverte com todo o esforço que aquelas pessoas fazem para demonstrar autenticidade. Balança a cabeça e um sorriso de desdém aparece no canto dos lábios.
    -Sim, é verdade. Eles não conseguem enxergar. E se um de nós dois fossemos lá falar isso pra algum deles levaríamos um soco – um rapaz diz.
    -Se você pudesse ver os que eu conheço concordaria que não existe mais romance por ali. - Ela responde ao rapaz que podia jurar ter lido sua mente.
    -Sabe... É até engraçado você perceber isso em todos eles – o rapaz diz enquanto sorri. – Se você quiser podemos ir lá e falar tudo isso para eles. Contar tudo isso ainda hoje à noite.
    -Eles nunca escutariam. Eles já tem as mentes feitas, atrofiadas. Claro! Está tudo indo muito bem levando a vida desse jeito.
    Ele senta ao lado da garota. Ela pega um cigarro e ele abre sua garrafa de cerveja. Os dois se olham e começam a rir juntos.
    -Não sei o que tanto essa gente vê aqui nesse lugar. Sabe... aqui não tem nada de mais, apenas música. É engraçado, todos pensam que estão nos anos 80, mas toda pose cai quando o celular de um deles toca e a gente ouve o ultimo ringtone da moda.
    -Pois é. Não é preciso ser nenhum Sherlock Holmes pra perceber que existe alguma coisa diferente ali.
    -Não me leve a mal. Posso estar parecendo um chato, mas eu não aguento esses caras que se acham porque tem uma bandinha – ele ri- ou aqueles que se acham no direito de agirem como retardados segurando um taco de sinuca na mão, com aparência de encrenqueiros, como se tivessem ido em cana uma ou duas vezes.
    -Você sabe, “é até engraçado você perceber isso em todos eles – ela diz enquanto sorri. – Se você quiser podemos ir lá e falar tudo isso para eles. Contar tudo isso ainda hoje à noite.”
    Surpreso em ouvir sua fala de alguns minutos atrás sendo repetida ele para de beber sua cerveja. Eles se olham novamente... e caem na gargalhada.
    -Bem, ali estão alguns amigos meus. O que eu posso dizer... Eu já os conheço há muito, muito tempo e provavelmente eles vão passar do limites hoje. Às vezes eles me irritam. – Ela diz.
    -Mas você não precisa se irritar hoje.
    -Não. Não da mesma maneira.
    -Isso. Não da mesma maneira.
    Ela termina o cigarro e arremessa a bituca com o polegar e o dedo médio. Eles se encaram novamente. Ela sorri e encosta a cabeça no ombro do seu mais novo companheiro.

Filipe Lemos.

2 comentários:

  1. http://escritoresvirtuais77.blogspot.com/

    Pessoal este é meu blog. Estou escrevendo uma trama, queria que vocês olhasem. Eu sou fã desse blog. Me de uma forcinha!!!

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